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O que é Due Diligence? Veja conceitos e aplicações

O que é Due Diligence? Veja conceitos e aplicações

Concretizar novos negócios é sempre o objetivo de qualquer empresa, mas, avaliar os riscos deve ser a primeira tarefa logo que uma nova oportunidade é encontrada. O combate à corrupção ganhou força recentemente na legislação brasileira e ações fraudulentas de empresas e intermediários começaram a ser questionadas e, cada vez mais, monitoradas com eficácia por ferramentas digitais.

Com a Lei Anticorrupção/Lei da Empresa Limpa, as empresas passaram a dar mais importância quando se trata da sua relação com terceiros. Isso porque, tal lei prevê a responsabilidade objetiva - quando uma empresa responde pelos atos de representantes da sua cadeia produtiva, inclusive do terceiro agindo em seu nome. Sendo assim, conhecer os riscos se torna fundamental para conseguir mitigá-los em tempo.

Essa precaução dentro do contexto atual, em que lidamos com informações em abundância, é facilitada quando um processo de Due Diligence é aplicado e, sobretudo, realizado de forma otimizada. Neste artigo, explicaremos esse conceito e como aplicá-lo de maneira eficaz.

O que é Due Diligence?

Ao pé da letra, esse termo em inglês significa “diligência devida” (ou diligência prévia). A palavra diligência remete a cuidado, zelo, empenho e, também, a pesquisa e investigação. Portanto, quando as informações de uma parceria ou de uma negociação em potencial são levantadas, é fundamental que ocorra o Due Diligence. O processo envolve gestão de riscos e compliance, auditoria, previsão de cenários de negócios e identificação de oportunidades.

De forma simplificada, due diligence significa a busca de informação sobre uma empresa. Normalmente, essa busca ocorre antes de uma negociação acontecer efetivamente e tem como objetivo avaliar terceiros, fornecedores e/ou associados. Tal análise deve incluir, por exemplo, aspectos como área de atividade da empresa que será contratada, as possibilidades e perspectivas para o futuro do negócio e informações patrimoniais.

Quando se trata de um processo de fusão ou aquisição, até os valores envolvidos na negociação passam a ser definidos com mais assertividade a partir dos resultados encontrados na diligência.

Uma análise profunda mapeia todo o histórico de uma organização, não apenas no aspecto financeiro, mas, também, na esfera jurídica e no monitoramento de Pessoas Expostas Politicamente (PEPs) envolvidas com a instituição em questão. Mas, quais são os questionamentos mais importantes que devem ser considerados em um processo de Due Diligence?

Ao levarmos em conta que partes externas (parceiros, fornecedores e prestadores de serviço) podem representar uma fonte significativa de riscos para a sua empresa, o primeiro ponto é saber quem você está contratando e para qual objetivo. Qual o tipo de serviço que será prestado? O tamanho da empresa condiz com o valor do serviço em negociação?

Outras perguntas que devem ser feitas: Esse terceiro poderá trazer algum benefício para a sua empresa em decorrência do seu cargo ou influência? O Terceiro é um PEP (Pessoa Politicamente Exposta)? Possui conexões políticas? Existe alguma mídia negativa sobre a empresa ou algum dos seus sócios?

Tudo isso são questionamentos que muitas organizações consideram como Red Flags na hora da fazer uma diligência. Mas, é claro que as regras vão variar de empresa para empresa. Tudo depende do setor que você atua e da legislação a qual está submetido. A política de ‘Know Your Customer’ (KYC) , por exemplo, é uma medida obrigatória para todos os bancos e outras instituições financeiras focadas no processo de onboarding de um novo cliente.

Apesar de existirem regras específicas para determinados setores, há algumas Red Flags mais comuns e que merecem atenção redobrada. São elas: PEP’s, análise do quadro societário, mudança de endereço ou CNAE (Classificação Nacional de Atividades Econômicas), doações políticas, participação em listas de sanções (CEPIM, CEIS, CNEP), envolvimento com trabalho escravo, processos judiciais, entre outros.

Adotar a prática de Due Diligence é parte fundamental de um programa de compliance eficiente. Além de possibilitar uma análise preventiva e mitigação de riscos, faz com que a imagem reputacional de uma empresa esteja mais resguardada e protegida.

Aplicações de Due Diligence

Compliance

Mesmo um envolvimento passivo em uma operação fraudulenta pode respingar nos resultados do seu negócio, isso, sem contar o impacto negativo na reputação da empresa. Por isso, futuros parceiros precisam ser investigados previamente, e, para além de eventuais enroscos judiciais. Conta muito a percepção do público e o comportamento em questões sociais e ambientais. Envolvimento com agentes políticos e poder público também requerem atenção.

Financeira e contábil

O histórico de desempenho econômico da companhia em questão deve ser levantado e analisado, assim como os demonstrativos contábeis. Patrimônio, ativos, passivos, projeção de lucro nos próximos anos. Quanto mais documentado e auditado for, mais confiável.

Terceiros

Não é incomum grandes empresas terceirizarem sua produção ou sua cadeia de distribuição, aparentemente isentando-se de responsabilidades, mas, ainda assim, mantendo-se ligada verticalmente a um processo. Uma falha em qualquer ponto dessa cadeia pode comprometer uma parceria. Todos os envolvidos cumprem com suas obrigações trabalhistas? Têm seus imóveis regularizados? Estão em conformidade com as exigências de seus respectivos municípios? São muitas perguntas, todas elas cruciais.

Trabalhista

As rotinas de Recursos Humanos e Departamento Pessoal valorizam suas equipes? A empresa tem histórico de assédio ou constrangimento a colaboradores? Acumula processos trabalhistas? Vale verificar como conduz contratações, integração, comunicação interna, que benefícios oferece, se cumpre acordos, se paga em dia… Antes de se vincular, certifique-se se é um bom lugar para trabalhar.

Fusões e aquisições

A nova organização vem com o pacote completo, suas virtudes e seus problemas. Tudo relativo a essa empresa passa a ser associado a quem a incorporou. O importante é não ser surpreendido. Uma auditoria minuciosa evitará que se torne cúmplice de ilícitos ou fiador de más condutas.

Ambiental

Quando sua empresa pretende se envolver com uma organização cuja atividade causa impacto no meio ambiente, há muito a checar: cumprimento de normas e procedimentos do setor de atuação, conformidade com a legislação ambiental, prevenção de acidentes e planejamento para lidar com emergências.

Tecnológico

A segurança da informação é fundamental. O potencial parceiro atua com softwares licenciados, tem um time dedicado à Tecnologia da Informação? Tem um fluxo de trabalho estruturado? E principalmente: já se rendeu às ferramentas de Big Data Analytics?

Ferramentas aliadas do Due Diligence

Muitas organizações fazem uma investigação inicial no momento da contratação de um fornecedor ou prestador de serviço e se esquecem de um dos pontos mais importantes quando se trata de compliance. A responsabilidade que uma empresa tem de avaliar o risco de um terceiro não acaba depois que ele é liberado por meio de um processo de due diligence. Ao contrário, a diligência é apenas a primeira fase de um processo de monitoramento contínuo, que deve ser mantido durante todo o relacionamento da empresa com seus terceiros.

Plataformas de Big Data Analytics e machine learning já conseguem oferecer uma visão em tempo real dos riscos organizacionais. Quando as fontes de pesquisas de dados públicos são unificadas a informações internas da empresa, oferecem respostas rápidas para o processo de Due Diligence. Tais plataformas são adequadas para o momento atual de profunda transformação digital e de volumosa oferta de dados.

Vamos imaginar um cenário: você é contratado como analista de Compliance e, quando inicia seu trabalho, a primeira demanda é analisar a base de fornecedores da sua empresa, além de implementar um processo de diligência para todos os novos que forem entrar. Por onde você começaria?

Se imaginarmos que essa base histórica tem mais de 1000 fornecedores, fazer a investigação de cada um deles de forma manual não é viável. Além de onerar um tempo precioso do analista, ele teria que utilizar diversas fontes e ferramentas para conseguir fazer uma análise completa de um fornecedor em questão.

Felizmente, já existem no mercado soluções de gestão de compliance que permitem um processo de due diligence eficiente e otimizado. Imagine que ótimo seria poder carregar uma base de fornecedores em uma plataforma e, em poucos segundos, ter a visão de quais deles estão inativos (e às vezes você nem sabe), quantos estão relacionados com trabalho escravo, quem tem algum PEP no quadro societário e quais estão respondendo por processos judiciais decorrentes de crimes financeiros.

A boa notícia é que, atualmente, os profissionais que atuam na área de compliance já tem ferramentas que podem ser utilizadas a seu favor, o que torna o seu trabalho mais simples, rápido e produtivo. Já é possível, inclusive, personalizar regras de monitoramento, definir prioridades na análise e focar a busca nas especificidades do ramo de atuação da empresa. Tudo isso em uma navegação intuitiva, em plataformas que são amigáveis ao usuário.

Hoje, a tecnologia permite que cada empresa possa definir suas regras próprias e personalizadas para uma due diligence, garantindo não só uma mitigação de riscos pontuais, mas, também, uma ação preventiva e constante. Além de contribuir para o fortalecimento e democratização da cultura de compliance nas empresas.

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