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Entenda os dilemas da geração digital e os desafios para superá-los

Entenda os dilemas da geração digital e os desafios para superá-los

O consultor Walter Longo é otimista quando fala sobre a internet. “A tecnologia é nossa grande aliada na superação de problemas. Não há hoje um só problema sem alguém vendo como resolvê-lo tecnologicamente”, diz. Mas ele alerta para os perigos intrínsecos que se refletem no que Longo chama de “trilema” da geração digital: Exteligência, Tribalismo e Compartilhamento. “São três dilemas que influenciam na geração de sinapse, na busca pelo contraditório e no consumo de bens e serviços”, enfatizou durante sua apresentação no Data Driven Business 2018, promovido em Florianópolis pela Neoway nos dias 8 e 9 de março. “Na verdade, são três grandes tendências que estão preocupando cientistas sociais, tirando o sono de empresários e que merecem nossa atenção”.

O universo digital, ensina Walter Longo, traz infinitas possibilidades e alguns desafios. Esses desafios, apesar de poucos, afirma, “podem ser determinantes por causa do impacto que causam na sociedade e à economia, o que acaba afetando a todos nós”. Longo compara os três dilemas ao Triângulo das Bermudas do universo digital. Ou seja, apesar dos perigos e riscos, e mesmo ainda desconhecido, é um espaço que possui também alguns tesouros escondidos (“gigantescos”, nas palavras dele). Para localizar e explorar os tesouros, o primeiro passo é conhecer em detalhes cada um dos dilemas da geração digital.

Trilema da geração digital: Exteligência

A Exteligência tem relação direta com a forma como a geração digital lida com o conhecimento. Cada vez mais as pessoas estão deixando as informações no celular, no computador e na nuvem. Ou seja, o que antes era guardado na cabeça agora fica em um espaço infinitamente maior, com muito mais informação. “Por um lado, isso é bom, mas tem um problema: enquanto está fora da cabeça, não gera sinapse’, alerta.

A sinapse estimula naturalmente a criatividade, ideias, insights e conceitos. Mas antes precisa ser gerada pelos neurônios a partir das informações consumidas e levadas ao cérebro. “É assim que deveria funcionar e era assim que funcionava”, explica Longo. Segundo ele, “temos cada vez mais o conhecimento disponível como sociedade e cada vez menos usado como indivíduo”. Ou seja, isso pode significar cada vez mais exteligência e menos inteligência e capacidade de gerar sinapses.

Como resultado disso, falta referência para a geração digital criar repertório. E nas palavras de Longo, “sem o combustível do conhecimento embarcado, não vamos tão longe”. Isso se reflete no modo como a curiosidade é praticada. De acordo com Walter Longo, são três os tipos de curiosidades:

Diversiva – É aquela curiosidade abrangente, superficial, estimulada pela necessidade de ter controle ou a sensação de controle do que acontece no seu entorno.

Empática – É a curiosidade sobre outras pessoas que leva a geração digital a seguir e monitorar celebridades, por exemplo.

Epistêmica - É aquela curiosidade mais profunda, que leva à reflexão e tenta entender o porquê das coisas e dos fatos e quais as consequências.

Longo observa um crescimento das duas primeiras e uma queda da epistêmica - que é a curiosidade. Por isso, poderemos assistir uma divisão entre curiosos e descuriosos. “A curiosidade pode ser a grande diferença entre as pessoas e a educação não está dando bola pra isso”, diz Walter Longo. Para ele, a pergunta que fica é: no momento em que mais podemos é o momento em que menos queremos saber das coisas? “Temos a chance única de saber o que tiver vontade, na profundidade desejada, nós vamos jogar isso fora e ficar assistindo as micagens de youtubers?”, questiona.

Trilema da geração digital: Tribalismo

Para destacar o trilema do Tribalismo, Walter Longo viajou no tempo em sua apresentação no Data Driven Business. Ele lembrou da infância, quando a TV era a grande atração e nas famílias todos assistiam as mesmas coisas. “Não era o que queria assistir, mas era a chance de ser confrontado com o contraditório e descobrir novos valores culturais”, diz Longo, citando o interesse pela música clássica e pelo futebol como “heranças” daquela época. “Hoje a geração digital tem os algoritmos empurrando só o que você gosta sem dar a oportunidade de abrir sua cabeça para outros assuntos”.

Na avaliação do consultor, a internet e as redes sociais estão acabando com a possibilidade de se ver o mundo. É a geração digital em que cada um só lê, ouve e assiste o que quer e só segue quem concorda com o que se diz. “O problema é que o lado positivo da internet traz o lado negativo”, diz Walter Longo. “E qual o lado negativo? Eu vou me fechando, o que é culturalmente perigoso. A polarização política que assistimos nos dias de hoje só reforça isso”.

Com o Tribalismo, estamos assistindo ao fim do contraditório e à perda de opinião. Isso traz como consequência uma sociedade cada vez mais sectária e preconceituosa, enquanto o mundo exige a convivência com as diferenças. O algoritmo fecha e a sociedade quer mais abertura. “No fim das contas, o acesso ao conhecimento e à informação nunca foi tão global e nós nunca fomos tão tribais”, atesta Longo.

Trilema da geração digital: Compartilhamento

Na apresentação no Data Driven Business, Walter Longo revelou preocupação ao tratar do trilema Compartilhamento. A geração digital é adepta da redução do consumo e prefere compartilhar, reciclar, trocar, consertar, fazer e dividir. “É um desafio para o momento econômico atual”, avalia. “Mesmo que o compartilhamento gere mais acesso a bens e serviços, ainda não será suficiente para substituir a queda da demanda atual a curto e médio prazo”.

Esta é uma tendência que veio para ficar. O compartilhamento de tudo leva a uma desaceleração da espiral econômica com reflexos no desemprego, nos investimentos e na falta de estímulo ao crescimento. “É preciso revisar o modelo econômico e os critérios para medir o sucesso de um negócio”, diz Longo. “Talvez um modelo que não seja pelo volume e produção, mas quem sabe pela melhor margem.”

O consultor analisa que o dilema é compatível com novos comportamentos sociais da geração digital. Neste contexto, entram os Millennials, que rejeitam o consumo, acreditam que ser é mais importante que ter e são mais contemplativos e menos competitivos. “Temos que encarar de frente, analisar com profundidade mais esse dilema em que nos encontramos”, diz.

Geração digital e Big Data

Para superar os desafios do “trilema” da geração digital, Walter Longo aposta na revolução do novo, propondo ações que façam contraponto à exteligência, ao tribalismo e ao compartilhamento.

São três as sugestões do consultor:

  1. Leia muito para gerar sinapses. A inteligência leva à criatividade

  2. Abra-se para o novo, para o inédito, como forma de não se prender ao que não faz sentido, não foi pedido, nem foi esperado.

  3. Compartilhe tudo, mas não condene o consumo.

Em sua apresentação, Longo também destacou o papel do Big Data diante deste momento da geração digital. Para ele, o Big Data é parte fundamental das soluções de uma sociedade. “Não é mais apenas um método de gestão, uma questão de tecnologia”, explica. “É muito mais uma questão de ótica do que de fibra ótica”. O consultor defende a ideia que assim como somos doadores de órgãos quando morremos, somos doadores de dados enquanto vivemos. Dados esses que precisam ser usados como parte da resolução de qualquer problema.

Longo reforça suas certezas quanto ao Big Data com uma constatação, na verdade, uma mudança perceptível ao comparar a edição 2017 com a edição 2018 do Data Driven Business. “No evento do ano passado, o Big Data na cabeça de todos nós era uma das oportunidades de ferramentas para gerir melhor nossos negócios”, afirma. “O que eu senti participando da edição 2018 é que Big Data, em apenas um ano, deixou de ser uma opção para ser o epicentro da gestão corporativa”. Longo faz uma analogia: se os foguetes da saúde, da indústria automobilística, dos seguros, entre outros, tivessem um motor, diz o consultor, esse motor seria o Big Data. “Saiu da periferia das opções para o centro das decisões de gestão corporativa”, conclui.

Quer saber como fazemos na prática?

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