A história do mundo é marcada por revoluções. Com cada nova revolução, novas formas de pensar e novas ferramentas são desenvolvidas para realmente mudar o curso da humanidade. Antes de entrar no âmbito da tecnologia atual, porém fazendo uma correlação coerente, Paula Bellizia, da Microsoft Brasil e palestrante na conferência Data Driven Brasil: connecting data and business, faz uma viagem no tempo, no qual trata justamente de como se deram as primeiras transformações culturais e a criação de instrumentos inovadores até chegarmos ao que chamamos de “Quarta revolução industrial”.

 

Disseminação de dados. Transformação em conhecimento. No looping histórico, Paula Bellizia nos leva para Johannes Gutenberg e o primeiro livro impresso, uma Bíblia que teve sua produção iniciada em 1450 e finalizada após cinco anos. Embora não conste como uma revolução propriamente dita em muitos livros de história, esse foi um dos passos iniciais para chegarmos até o que a quarta revolução industrial propõe. Contudo, dando um passo para trás, décadas depois houve o que chamamos, aí sim, de primeira revolução industrial, em 1790, quando a máquina ultrapassa a força humana na realização de atividades. Houveram diversas consequências, entre elas, a escala na produção.

 

Graham Bell foi o responsável pela segunda revolução: a da eletricidade. Já, a terceira grande mudança na humanidade trouxe algo que está mais próximo do que muitos imaginam: a chegada da vida eletrônica. Assim, da máquina para a eletricidade até chegar na popularização dos equipamentos tecnológicos que são utilizados no dia a dia, como por exemplo, a internet e os celulares inteligentes, houve um período longo de tempo. Todas as mudanças aconteceram por conta de uma força motriz, algo que estava por trás dando o impulso necessário. Atualmente, com diversas evoluções se dando simultaneamente, temos o que podemos chamar de quarta revolução industrial. Uma revolução digital que envolve a todos e tudo. A força motriz? A nuvem.

 

O que está acontecendo a partir da quarta revolução industrial?

 

A democratização é a pedra fundamental da quarta revolução industrial. Ela é disruptiva porque abre portas para grandes inovações, como as que estão acontecendo em áreas como a Física, Biologia e Nanotecnologia: dos protótipos de veículos autônomos às pesquisas com robótica. A ciência está sempre em evolução. Paula Bellizia alerta que são tantos os avanços de ferramentas e dispositivos que é impossível contabilizá-los. Para ela, toda essa transformação só é possível devido a alta escala de poder computacional disponível por preços mais acessíveis.

 

Tudo o que é novo gera dúvidas quando não, medo. Afinal, a sociedade está estruturada em cima de regras: os direitos e os deveres. Por isso, nada mais natural que a quarta revolução industrial também traga desafios nesse sentido. As questões regulatórias ainda são nebulosas em alguns pontos e à medida que os avanços tecnológicos acontecem é necessário rediscutir a legislação e diretrizes. Outro desafio, trata sobre segurança e privacidade. Com a democratização e o poder de disseminação, o que é segurança e o que é privacidade? Por fim, a transformação da sociedade é igualmente complexa, pois é preciso que diversas gerações assimilem dentro de suas rotinas as práticas que surgem com as novas culturas.

 

Uma prova de como a transformação digital está mudando e mudará a vida profissional e o mercado está numa das estatísticas apresentadas por Paula Bellizia no Data Driven Brasil: connecting data and business: mais de 50% das profissões atuais irão acabar. Sim, simplesmente irão deixar de existir. É nesse momento que se deve começar a pensar: “precisamos entender o que está acontecendo. Como vamos mudar?”. Os empregos não vão acabar, mas serão necessárias novas habilidades. Para os gestores, o mesmo deve acontecer. Se a empresa não acompanhar a transformação digital e o poder da nuvem, pode se tornar obsoleta em um piscar de olhos. Ou seja, há alguém que está fazendo a ruptura do seu negócio. Qual será sua atitude? Esperar ou correr atrás?

 

Na quarta revolução industrial, pergunta-se continuamente sobre a natureza dos negócios. Um exemplo: um banco é uma empresa financeira ou de tecnologia? As empresas estão deixando de usar tecnologia para se tornar uma organização digital. Com isso em mente, Paula Bellizia traz transformações digitais em quatro áreas.

 

Os pilares da quarta revolução industrial

 

A transformação digital abrirá novas portas para empresas e, principalmente, tipos de negócios. Por isso, é preciso assumir um lugar dentro dessa revolução que está acontecendo agora. Para crescer e se manter inovador dentro da quarta revolução industrial, há quatro pontos fundamentais:

 

Melhorar relacionamento com seus clientes: utilizar dados, transformá-los em informação e proporcionar melhores experiências para o seu cliente.

 

Empoderar seus funcionários: utilizar ferramentas que possam conectar os colaboradores, seja por Skype ou outro meio, rompendo com o padrão escritório e ficha ponto.

 

Otimizar operações: utilizar a tecnologia, como os dados e a análise preditiva, para que os funcionários possam ter informações valiosas e consigam agir com mais eficiência e otimizar suas tarefas.

 

Transformar produtos e serviços: a tecnologia pode não somente otimizar operações e empoderar funcionários, mas  também servir como um adicional ao que já é oferecido ao consumidor. Mudar a perspectiva e utilizar a tecnologia como agente motriz é fazer parte da quarta revolução industrial.
Por fim, vale sempre lembrar que  a  tecnologia é meio, não fim. O fim é a transformação digital. Essa é a quarta revolução industrial.